domingo, 20 de dezembro de 2009

Saudade ...

Passaram-se quase dois meses..

... E hoje percebo como a sua ausência me dói, como estar ao seu lado era importante pra mim. É hoje, com a certeza de que o senhor não está mais entre nós, que posso sentir o quanto a saudade machuca e destrói por dentro. Lembro de cada momento que passamos, e isso é tão intenso, que meu coração se aperta de uma maneira inexplicável, e já não existe nada, nenhuma palavra que console ou exprima o que você era pra mim. Foi-se uma parte significativa de tudo o que era verdadeiramente essencial, deixando um grande vazio, que hoje, especialmente hoje, tornou-se insuportável pensar que não posso te-lo por perto. Um mês sem sentir a sua chegada, seja pro café ou apenas pelo costume de estar sempre em nossa casa. Um mês sem ficarmos na varanda após o almoço conversando ou tomados pelo silêncio esperando o tempo passar. Um mês sem te-lo esperando aos domingos na rodoviária. Um mês sem ouvir suas queixas, compreender suas dores. Um mês sem o senhor. E agora entendo como a saudade dói, como ela maltrata o coração, como cada momento que você viveu te passa pela cabeça como um filme com pequenos flashs, e você chega a suplicar para que esses momentos voltem, mas não voltarão, por mais que você implore, tudo isso ACABOU.. Ah! Como eu queria ter tido uma última chance, como eu daria um pedaço do céu para lhe dizer "tio, vai passar, eu sei que vai passar", mas tudo teve um fim, e não há chance, não há um único retorno, você partiu pra sempre. Mas onde quer que o senhor esteja, longe ou perto, e por algum instante sentir o que agora sinto, saiba que estarei aqui pelo senhor, pois sua ausência é algo que sempre viverá em mim. E nada do que vivemos em família se apagará, porque a sua passagem em nossas vidas, deixou uma marca profunda, uma saudade bonita que sempre nos acompanhará. Obrigada por todas essas lembranças, por tudo o que fez por minha família, pela alegria que transmitiu em todos esses anos, pelos natais, que jamais serão os mesmos =/, pelos aniversários, pelas ajudas, por ter vivido e sido parte de nós, e eu tenho certeza, que apesar da sua atitude em relação a vida, por ter nos deixado de um jeito tão estúpido, ainda assim, o senhor já ganhou o céu, e os anjos cantarão com a sua chegada, pelo simples fato ter sido tão honesto e tão bom como pessoa. O tio não está mais presente fisicamente, mas está vivo em nossos corações, até o fim de nossas vidas..
Sinto a sua falta, sinto muito a sua falta..
Um dia a gente se encontra por aí!
(23/11/09)


A um ausente


Tenho razão de sentir saudade,

tenho razão de te acusar.

Houve um pacto implícito que rompeste

e sem te despedires foste embora.

Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência

de viver e explorar os rumos de obscuridade

sem prazo sem consulta sem provocação

até o limite das folhas caídas na hora de cair


Antecipaste a hora.

Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.

Que poderias ter feito de mais grave

do que o ato sem continuação, o ato em si,

o ato que não ousamos nem sabemos ousar

porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,

de nossa convivência em falas camaradas,

simples apertar de mãos, nem isso, voz

modulando sílabas conhecidas e banais

que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.

Sim, acuso-te porque fizeste

o não previsto nas leis da amizade e da natureza

nem nos deixaste sequer o direito de indagar

porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade

Nenhum comentário:

Postar um comentário